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O ENTRERRO DO RICO IRMÃO: Cultos e rituais, partidas e danças, o extravasar da alegria.

As festas carnavalescas de Touro, o Entrudo, tem no Domingo Gordo a primeira saída oficial.

Simbolismo

Cenas, actos e números. O libretista é servo do compositor, o bom povo Tourense que durante um ano constrói um libreto capaz da catarse, folia e carpideiras que é preciso chorar o Rico Irmão. Daí a Farsa, o Carnaval em ritual, a entrada no tempo da sementeira.

O Rico Irmão vai a enterrar na Véspera de Quarta-feira de Cinzas, naquele que é o último Carnaval do país e, ironicamente, o primeiro a ser preparado quando, nos Reis, o povo dele pergunta. E planeia. Haverá azáfama, rumor e atordoada. É preciso ouvir o diz que diz, guardar registo no missal, acrescentado que vem lá a noite de Terça-feira Gorda, o Rico Irmão vai novamente a enterrar, depois de proclamadas as verdades e lida a sentença. A farsa começa às 22h30, no topo da rua central, pelourinho na Igreja de Santo António.

As festas carnavalescas de Touro, ancestrais e exuberantes, escondem-se nas máscaras, elevam-se nas andolas, exprimem-se na mimica do povo, haverá cortejo, fúnebre, testamento e grandes fachos de fogo a arder, lumieiras que é folia. E casamentos, burlas ou burlescos.

Não se esqueça o “pendurar faca, alho e vinho à porta”, que os entrudos saem à rua.

O Rico Irmão

Entrudo é para andar a foliar. Equilibrado, de preferência, em simples paus de madeira, a dois o par e uns degraus. Se ela for grande, que se suba o muro e alguém ajude a amarrar.
As andolas, andas ou muletas, são brinquedos de madeira, tão antigos como o Carnaval do Touro. Também são ferramentas de trabalho, para atravessar Côvo, folclore de saltimbancos e coragem.

Ao primeiro Sábado entrudeiro, elas saltam à rua, pernas de pau, muletas ou andolas, desfile, competição, bairrismo.
Hoje são raras, mas ainda aparecem pelas mãos dextras de maganos e folgazões. No Natal treinam-se os mais novos, cada um a querer subir mais além, despique e disfarce. Que os mais velhos não saibam das andolas, nem que se roubam caibros nas obras.

Todos ao muro alto da Igreja, calçar andolas, dominar ferramentas e madeira. E sim, já chegaram aos 2,23 metros, hoje, por lá, mais pequenas, mas sempre a alcançar façanhas.

O Cowboy, aquele que, diz a lenda, construiu as andolas mais altas, o deslumbre da vertigem, é Carnaval e Ritual, dos mais velhos para os mais novos.