PASSADIÇOS na Rota do Caldeirão
ROTAS PEDESTRES
A Rota do Caldeirão
A Rota do Caldeirão é uma senda um encontro feliz com a natureza,
um passadiço que se namora, um retalho da Beira Alta, que abraça o planalto da Nave.
O Caldeirão, o gado paivoto, a Passagem, os amieiros, a Ribeira da Póvoa, as Várzeas e, ao alto, a Nave. A Rota do Caldeirão é a geografia dos povos que por cá passaram e se instalaram. Que aqui lavraram, colheram, moeram. Donde vinham e o que trouxeram com eles, o que havia, o que mudou. Simples.
A Rota, como o Touro, lembra esse Caldeirão, uma “Terra fértil, gado e caça”. A correr de Este para Oeste, vindos da encosta Sul da Serra da Nave, atravessando quase toda a Freguesia. Um vislumbre de Adomingueiros, Laje Gorda, Viduinho, Póvoa, Cerdeira e Avesseira. A rota é de todos, do Côvo, que também é Touro, rio de montanha, corredor, de águas frias e corgos. Prados e lameiros que se pressentem logo no Parque Urbano, conhecendo rio de alimento, moinhos de água, cereal repisado, guardado no espigueiro, na arca. Farinha feita pão. É também a abundância desta água que fertiliza este magro chão de granito, que rega amieiros e salgueiros, carvalhos e por onde, ainda, andam lobos. E é do Parque que partimos às Lameiras, ao trigo e à cevada. Ao centeio. A hidráulica no caminho dos povos, a Boa Sorte feita rio, os tufos, pedra aparelhada, pias de pilar, para o milho miúdo, como as que se vêm na Cerdeira.
Um rio de moinhos, uma rota de moleiros, à espera da força das águas, transparentes, mil e uma nascentes, como no Almonexe, na Ribeira da Mourisca e binóculo para o tojo e carqueja, pinhais de onde saltam perdizes e patos bravos, lebres e coelhos.
A Rota do Caldeirão é esse segredo, o caminho por onde viajavam milho e centeio, primeiro na albarda, depois nos tratores, as cascatas do mergulho. Os Pardieirinhos, aonde recolhia o gado, que dava essa lã e esse leite, de cabras e ovelhas, de vacas, aqui Paivotas, na geografia mais alta arouquesas. As eiras e os palhais.
Saindo do Touro, indo ao Vale Tejoso, a minha praia dos Filipes, as Lameirinhas e o Caldeirão, esse alforge, manancial de tibungar, indo ao campo da bola e vindo pelo Paul.
Sejamos francos, o caminho é o mesmo, reinventado, valorizando paisagens e patrimónios. Memórias, de Gente, Pessoas que ali granjearam sustento.